O cometa Halley, conhecido por seu retorno periódico entre 72 e 80 anos, pode ter tido sua órbita recorrente reconhecida ainda no século XI por um monge inglês, mais de seis séculos antes dos cálculos formais publicados em 1705 pelo astrônomo britânico Edmond Halley, segundo nova pesquisa acadêmica.
Um nome consagrado, mas uma descoberta anterior
O cometa Halley recebeu esse nome em homenagem a Edmond Halley, que em 1705 reconstruiu sua órbita com base em observações próprias e registros históricos, identificando um ciclo aproximado de 75 anos. Esse trabalho permitiu prever o retorno do cometa em 1758.
Pesquisas recentes, no entanto, indicam que Halley não foi o primeiro a reconhecer o caráter periódico do objeto. O estudo sugere que o monge inglês Eilmer, também conhecido como Aethelmaer, de Malmesbury, pode ter associado duas aparições do cometa observadas com um intervalo de cerca de 77 anos.
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As observações de Eilmer em 989 e 1066
De acordo com relatos históricos, Eilmer observou um cometa cruzar os céus da Inglaterra em 989, quando ainda era menino. Décadas depois, em 1066, ele testemunhou uma nova aparição do mesmo fenômeno e teria conectado os dois eventos como sendo do mesmo corpo celeste.
Essa interpretação é apresentada por Simon Portegies Zwart, astrônomo da Universidade de Leiden, na Holanda, em um livro recente. Segundo o autor, o relato sugere que Eilmer compreendeu que se tratava de um fenômeno recorrente, algo notável para o conhecimento astronômico da época.
O relato preservado por Guilherme de Malmesbury
A principal fonte sobre Eilmer é o historiador do século XII Guilherme de Malmesbury. Segundo ele, ao ver o cometa em 1066, Eilmer teria exclamado que fazia muito tempo desde a última aparição e que agora o astro parecia anunciar a ruína de sua pátria.
Naquele ano, a Inglaterra vivia uma grave crise sucessória após a morte do rei Eduardo, o Confessor. O cometa também foi registrado visualmente na Tapeçaria de Bayeux, que retrata a invasão normanda liderada por Guilherme, o Conquistador, após a aparição do astro sobre a Bretanha e as Ilhas Britânicas em abril de 1066.
Um monge entre o voo e a astronomia
Eilmer é lembrado não apenas por suas observações celestes, mas também por uma tentativa pioneira de voo humano. Inspirado pela mitologia grega, ele teria construído asas e saltado de uma torre no final da década de 990 ou início dos anos 1000.
Segundo Guilherme de Malmesbury, o monge planou por cerca de 200 metros antes de cair e quebrar as duas pernas, após uma rajada de vento interromper sua descida. Além desse episódio, Eilmer mantinha grande interesse por astrologia e astronomia, áreas centrais de seus estudos.
O cometa Halley na história registrada
O cometa Halley foi o primeiro a ser reconhecido pelos astrônomos como periódico. Sua órbita altamente elíptica ao redor do Sol faz com que ele se aproxime da Terra a cada 72 a 80 anos, deixando um rastro luminoso de poeira visível no céu.
O registro mais antigo provável do cometa data de 239 a.C., em uma crônica chinesa. Desde então, ele foi observado dezenas de vezes e frequentemente interpretado como presságio. Em 66 d.C., o historiador Flávio Josefo associou sua aparição à queda de Jerusalém.
O reconhecimento tardio e o debate atual
Edmond Halley relacionou com precisão as aparições de 1531, 1607 e 1682, prevendo corretamente o retorno em 1758, embora tenha morrido em 1742, antes de ver sua previsão confirmada. Seus cálculos foram considerados notáves para a época.
Portegies Zwart argumenta, contudo, que o mérito inicial de reunir informações sobre as aparições do cometa séculos antes deveria ser atribuído a Eilmer.
Essa tese foi apresentada em um capítulo escrito com Michael Lewis, do Museum Britânico, no livro Dorestad and Everything After: Ports, Townscapes and Travelers in Europe, 800-1100, published in 2025.
A próxima passagem visível do cometa Halley está prevista para o final de julho de 2061, quando o fenômeno poderá novamente ser observado da Terra.
